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Matéria publicada em 11/2007


Desafio do IP será lidar com o legado


Portal Decision Report



O setor de telecomunicações ainda discute os modelos de negócio que podem ser gerados com o uso do protocolo IP. Muito se fala em videoconferência, ensino a distância e oferta de conteúdos especializados, mas o potencial de rentabilidade de outros produtos além da voz sobre IP (VoIP) é incerto. Esse foi o principal tema da conferência Business over IP, realizada na quarta-feira (31/10) em São Paulo.

"Não precisa sair do País para falar de VoIP. Nós já vivemos isso, temos cidades digitais em que a população já interage com os serviços públicos via Internet", disse Adriano Gaudêncio, diretor-geral da 3Com no Brasil. "As crianças são muito conectadas, têm celular, dois gigabytes de e-mail. Como elas chegarão ao mercado de trabalho, em alguns anos, sem ter um correio eletrônico com tanta capacidade, não podendo interagir com seus clientes com apenas um clique? Quem não acompanhar essa geração vai desaparecer", afirmou.

"A dança das empresas do setor vai ser colocar um pé no dia de hoje e outro nesse mundo em eterno movimento", concordou Dilson Frota Moraes, sócio-fundador e diretor técnico da Leucotron. "O desafio é fazer com que as grandes modificações convivam com o legado."

Marco Américo D. Antonio, vice-presidente de vendas da Diveo do Brasil, lembrou que nos últimos quatro anos muitas empresas precisaram mudar suas estratégias de apresentação e prestação de serviços na Internet. "O mercado tradicional já está focado nesse mundo cada vez mais digitalizado. Veja o caso das gravadoras, que estão tendo que reestruturar todos os seus planos de negócio devido ao sucesso dos tocadores de MP3 e dos sites de venda de música. Esse é um caminho sem volta. Quem não olhar para esse meio vai desaparecer", declarou.

Para a Embratel, a voz sobre IP tem representado grandes oportunidades de negócios e de participar de segmentos nos quais a operadora não conseguia entrar antes da criação da tecnologia — como no mercado de massa, por exemplo. "O VoIP surgiu como uma grande ameaça às chamadas de longa distância tradicionais, mas trouxe muitas chances de crescimento em outras áreas. Além disso, a diferença de preço só faz efeito se a empresa usar o sistema para falar de computador para computador, sem passar pela rede pública de telefonia. Pode até ter havido uma queda de receita no início, mas não houve redução de tráfego, nos minutos utilizados", contou Maurício Vergani, vice-presidente da Embratel Empresas. "Um dos motivos para a receita não ter caído foi que a privatização do setor ajudou a levar linhas telefônicas a lugares remotos, onde elas não existiam", complementou Gaudêncio.

Outro modelo de negócios IP abordado foi a oferta conjunta de serviços, como a Embratel já realiza hoje com a Net (por meio do Net Phone). A operadora disse que estuda agora uma oferta semelhante em parceria com a TV aberta, além de contar com um bom portfólio de soluções corporativas. "O segredo será trabalhar em alianças e integrar seus produtos aos de parceiros", declarou Vergani.

No entanto, a regulamentação do setor aparece como o principal impeditivo para a evolução dos serviços IP. Todos os participantes da mesa-redonda concordaram que o setor não avançará muito mais nesse campo enquanto as regras não estiverem muito bem definidas.

O importante, ressaltou Gaudêncio, é que a tecnologia IP não é vista mais hoje como uma simples redutora de custos, e sim como um diferencial competitivo. "Ela traz aumento de desempenho e qualidade", disse. "O caminho não é ganhar com a tecnologia. As empresas de diferenciam umas das outras agregando serviços de valor e conteúdo. As tarifas não serão mais fonte de receita, e as operadoras sabem disso", completou Cardoso, da Telecom.

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